5
No fim da tarde, Lázaro contemplava seu trabalho de limpeza e arrumação amparado por um copo de café e um cigarro aceso, porém, mal teve tempo de sentar-se no sofá e alguém bateu na porta. Antes de abri-la, Lázaro olhou pelo olho mágico e um peso saiu de suas costas quando viu que era Adriano.
– Boa noite, Lázaro. – Adriano estendeu a mão direita para cumprimentar o amigo, enquanto segurava a carta com a mão esquerda.
– Boa noite… O que é isso?
Lázaro pegou a carta e a examinou.
– Está com o seu nome. Deve ser uma mensagem do seu pai.
– Hmmm... – Lázaro ficou em silêncio por um instante, abrindo espaço para o amigo entrar e continuou a falar, em voz baixa, enquanto trancava a porta. – Então, o que você disse para a minha vizinha ontem?
– Nada demais. Eu a encontrei lá embaixo e ela me abordou perguntando se você estava bem, que a família dela estava preocupada com você e tal.
– E daí você abriu o bico. – Lázaro falou, ríspido.
– O que é que tem? Vizinhos são importantes na nossa vida.
– Mas você foi falar logo para a menina que me azucrinou por dez anos.
– Mas ela estava com a mãe.
– E a mãe não cortou o assunto?
– Começou até eu dizer que seu pai tinha morrido.
Lázaro ficou em silêncio e esfregou o rosto, irritado. Pensou que Ieda estava sendo discreta, mas a informação, naquele momento, deve tê-la deixado sem palavras, dando espaço para Andreia perguntar sem problemas. Após um suspiro mais longo de Lázaro, Adriano continuou.
– Então, daí eu disse isso e falei que você não ia falar para ninguém, que não queria incomodar os outros e elas ficaram “nossa, coitado”, “que dó”, etecetera, etecetera.
– Mas, agora, todo mundo vai ficar me abordando por causa disso...
– A mãe da moça disse que ia guardar segredo. – Enfatizou Adriano – Eu disse que você não queria que contasse e ela jurou que nem ela e nem a filha iam contar.
– Tomara. A Ieda é confiável mesmo, mas a Andreia não é. Eu não consigo mais confiar nela. Aliás, nunca confiei em adolescente, mas, ela tem um letreiro de “falsa” na testa
Ambos ficaram em silêncio enquanto Lázaro pensava que tipo de coisa a moça contaria por aí. Poderia acabar contando para amiga dela, pedindo discrição. Daí seria um segredo do bairro todo.
– Então? – Adriano acenou com o queixo para a carta, esperando que Lázaro a abrisse.
– Então, o quê?
– Você não vai ler?
– O quê...? Ah, agora não. – Lázaro respondeu, desdenhoso.
– Mas eu queria saber o que está escrito antes de ir. – Adriano disse, enfático.
Lázaro deu de ombros. Ficou pensando no problema que Andreia lhe causaria. Percebendo a relutância do anfitrião em abrir, Adriano suspirou, derrotado.
– Bem, está entregue. Quando você ler, me diga sobre o que é. Os outros documentos do seu pai eu deixei no cofre. Quando você quiser pegá-los, eu te entrego. – Adriano estendeu a mão. – Até amanhã.
– Okay, obrigado.
Lázaro cumprimentou o amigo e se levantou para abrir a porta. Sozinho, o anfitrião ficou parado, com a carta na mão. Estava com vontade de ler, mas estava confuso. Lázaro culpou o pai pela morte de sua mãe e, desde a morte dela, ele planejou e pôs em prática um plano de sair da casa dos pais para nunca mais voltar. Fez de tudo para se afastar do pai enquanto o homem estava vivo mas, depois de morto, Isaac começava a reentrar na vida do filho aos poucos.
No fim da tarde, Lázaro contemplava seu trabalho de limpeza e arrumação amparado por um copo de café e um cigarro aceso, porém, mal teve tempo de sentar-se no sofá e alguém bateu na porta. Antes de abri-la, Lázaro olhou pelo olho mágico e um peso saiu de suas costas quando viu que era Adriano.
– Boa noite, Lázaro. – Adriano estendeu a mão direita para cumprimentar o amigo, enquanto segurava a carta com a mão esquerda.
– Boa noite… O que é isso?
Lázaro pegou a carta e a examinou.
– Está com o seu nome. Deve ser uma mensagem do seu pai.
– Hmmm... – Lázaro ficou em silêncio por um instante, abrindo espaço para o amigo entrar e continuou a falar, em voz baixa, enquanto trancava a porta. – Então, o que você disse para a minha vizinha ontem?
– Nada demais. Eu a encontrei lá embaixo e ela me abordou perguntando se você estava bem, que a família dela estava preocupada com você e tal.
– E daí você abriu o bico. – Lázaro falou, ríspido.
– O que é que tem? Vizinhos são importantes na nossa vida.
– Mas você foi falar logo para a menina que me azucrinou por dez anos.
– Mas ela estava com a mãe.
– E a mãe não cortou o assunto?
– Começou até eu dizer que seu pai tinha morrido.
Lázaro ficou em silêncio e esfregou o rosto, irritado. Pensou que Ieda estava sendo discreta, mas a informação, naquele momento, deve tê-la deixado sem palavras, dando espaço para Andreia perguntar sem problemas. Após um suspiro mais longo de Lázaro, Adriano continuou.
– Então, daí eu disse isso e falei que você não ia falar para ninguém, que não queria incomodar os outros e elas ficaram “nossa, coitado”, “que dó”, etecetera, etecetera.
– Mas, agora, todo mundo vai ficar me abordando por causa disso...
– A mãe da moça disse que ia guardar segredo. – Enfatizou Adriano – Eu disse que você não queria que contasse e ela jurou que nem ela e nem a filha iam contar.
– Tomara. A Ieda é confiável mesmo, mas a Andreia não é. Eu não consigo mais confiar nela. Aliás, nunca confiei em adolescente, mas, ela tem um letreiro de “falsa” na testa
Ambos ficaram em silêncio enquanto Lázaro pensava que tipo de coisa a moça contaria por aí. Poderia acabar contando para amiga dela, pedindo discrição. Daí seria um segredo do bairro todo.
– Então? – Adriano acenou com o queixo para a carta, esperando que Lázaro a abrisse.
– Então, o quê?
– Você não vai ler?
– O quê...? Ah, agora não. – Lázaro respondeu, desdenhoso.
– Mas eu queria saber o que está escrito antes de ir. – Adriano disse, enfático.
Lázaro deu de ombros. Ficou pensando no problema que Andreia lhe causaria. Percebendo a relutância do anfitrião em abrir, Adriano suspirou, derrotado.
– Bem, está entregue. Quando você ler, me diga sobre o que é. Os outros documentos do seu pai eu deixei no cofre. Quando você quiser pegá-los, eu te entrego. – Adriano estendeu a mão. – Até amanhã.
– Okay, obrigado.
Lázaro cumprimentou o amigo e se levantou para abrir a porta. Sozinho, o anfitrião ficou parado, com a carta na mão. Estava com vontade de ler, mas estava confuso. Lázaro culpou o pai pela morte de sua mãe e, desde a morte dela, ele planejou e pôs em prática um plano de sair da casa dos pais para nunca mais voltar. Fez de tudo para se afastar do pai enquanto o homem estava vivo mas, depois de morto, Isaac começava a reentrar na vida do filho aos poucos.
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