3
Na primeira sexta-feira após da morte de Isaac, Adriano reencontrou Lázaro em seu pequeno apartamento. Lázaro ainda usufruía da licença de uma semana pela morte do pai.
– Você herdou tudo, Lázaro? – perguntou Adriano.
– Sim. Tudo. Com exceção de uma borduna que meu pai deixa num cofre lá no antiquário. Ele deixou para minha prima, Sara. Ah, o Abner trouxe para mim esse celular que era do meu pai.
– Nossa, um Startac! – Adriano pegou o pequeno celular preto das mãos de Lázaro para olhar. – O que é uma borduna?
– Uma arma indígena. A que ela herdou parece uma espada.
Na primeira sexta-feira após da morte de Isaac, Adriano reencontrou Lázaro em seu pequeno apartamento. Lázaro ainda usufruía da licença de uma semana pela morte do pai.
– Você herdou tudo, Lázaro? – perguntou Adriano.
– Sim. Tudo. Com exceção de uma borduna que meu pai deixa num cofre lá no antiquário. Ele deixou para minha prima, Sara. Ah, o Abner trouxe para mim esse celular que era do meu pai.
– Nossa, um Startac! – Adriano pegou o pequeno celular preto das mãos de Lázaro para olhar. – O que é uma borduna?
– Uma arma indígena. A que ela herdou parece uma espada.
– Ah, sim... e você vai reabrir a loja?
– Eu não quero, mas... não sei. – respondeu, incomodado.
– Como eu
disse no funeral, posso avaliar a
lucratividade dela, ver se ela se sustenta sozinha. Se ela for lucrativa, eu
poderia administrá-la para você.
– Mas, e seu emprego?
– Se for lucrativa, será um emprego que garante minhas necessidades, assim
como o que tenho hoje.
Lázaro estava
desconfortável com a proposta. Ele não queria ter qualquer relação com a loja
ou com qualquer coisa que seu pai deixara. Com o pai morto, sentia que usufruir
da herança deixada era agir como um animal carniceiro, se aproveitando de forma
covarde da morte. Desde muito jovem, Lázaro já buscava construir sua autonomia e, após sair de casa, o
contato com o pai ocorrera poucas vezes, sempre de forma não planejada. Ter que
se responsabilizar sobre a loja era algo que ele não queria. Contudo, Lázaro sentia
que tinha uma dívida com o pai de quase duas décadas de erros e fechar a loja seria o
erro final. Por isso, não poderia arriscar tomar outra decisão errada. Pensou bem e acabou
concluindo que se Adriano fosse administrar – e o amigo faria tão bem quanto Isaac – ele não teria que se
envolver e não precisaria vender a loja que sua mãe também ajudara a construir.
Se deixar a loja aberta fosse mais um erro, seria reversível.
– Você vai administrar sozinho. Eu não quero saber de nada.
– Okay. – Adriano sorriu. – E se tudo der certo, parte dos lucros serão seus. Okay? Mudando de
assunto... O que você fará com a casa?
– Seu Emílio está vigiando a casa para não entrar nenhum estranho. Se Sara
voltar, e eu imagino que volte, ela pode morar lá.
– Morar sozinha? Você não tem medo? – Adriano desfez o sorriso e ficou
sério.
– Medo? Quem tentar mexer com ela vai se arrepender amargamente. Hoje, ela deve saber
manusear aquela borduna tão bem quanto qualquer guerreiro indígena. Bem, está
no sangue dela, né? Por parte de pai, ela tem sangue de índio.
Adriano riu. Imaginar uma mulher lutando, para ele, era algo muito difícil. A última mulher que ele tinha visto empunhando uma arma deveria ser a personagem da série Xena e, como ele sabia, era tudo interpretação. Após uma conversa amigável, Adriano se despediu do amigo, deixou o celular sobre o sofá, pegou as chaves da loja e foi embora. Já era tarde e Lázaro preferiu dormir a ter que arrumar o apartamento.
Adriano riu. Imaginar uma mulher lutando, para ele, era algo muito difícil. A última mulher que ele tinha visto empunhando uma arma deveria ser a personagem da série Xena e, como ele sabia, era tudo interpretação. Após uma conversa amigável, Adriano se despediu do amigo, deixou o celular sobre o sofá, pegou as chaves da loja e foi embora. Já era tarde e Lázaro preferiu dormir a ter que arrumar o apartamento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário