Introdução
As histórias sempre fizeram parte da minha vida. Meus pais e minhas avós nos contavam sobre eventos ocorridos com eles ou com pessoas conhecidas. Em alguns casos, a narrativa também tinha elementos sobrenaturais – até eu mesmo tenho as minhas histórias com coisas inexplicáveis. Porém, o mais importante era o ensinamento que fazia parte da história, assim como são comuns às lições de moral das fábulas. A única diferença entre Esopo e meus pais era que as personagens destes eram pessoas que tinham nome e endereço.
As histórias sempre fizeram parte da minha vida. Meus pais e minhas avós nos contavam sobre eventos ocorridos com eles ou com pessoas conhecidas. Em alguns casos, a narrativa também tinha elementos sobrenaturais – até eu mesmo tenho as minhas histórias com coisas inexplicáveis. Porém, o mais importante era o ensinamento que fazia parte da história, assim como são comuns às lições de moral das fábulas. A única diferença entre Esopo e meus pais era que as personagens destes eram pessoas que tinham nome e endereço.
Quando me tornei jovem, passei
a desejar contra histórias do meu jeito, e não necessariamente relatos da minha
vida ou da de outrem. Então, comecei a mestrar jogos de RPG, dos 14 até os 20
anos, 3 anos antes de entrar para a faculdade. Na graduação em ciências
sociais, tive contato com muitos autores que estudaram as lendas, o dia a dia e
o misticismo de povos tradicionais que, apesar do respeito, tratavam todas as
culturas estudadas de maneira muito técnica. Como afirma Robert Lowie em “A
história da teoria etnológica”, o cientista apenas registra a cultura e tenta
explicá-la. Seguindo essa lógica e pautado no ceticismo que é base da ciência,
as histórias que eu ouvira dos meus pais e ouvi a partir dali passaram a ser
recebidas com incredulidade: é difícil acreditar em entidades que dizem quando
vamos morrer ou criaturas que aparecem nas madrugadas com olhos brilhantes.
Quase uma década depois de me
formar, posso afirmar que um ponto chave para saber respeitar essas narrativas,
mesmos aquelas com contornos de estória, é a nossa experiência individual: o
antropólogo Edward Evan Evans-Pritchard viveu por muito tempo junto a uma tribo
chamada Zande e teve uma experiência com uma característica cultural denominada
de "bruxaria zande". Mesmo vivendo entre os azande como pesquisador,
ele narra em seu livro que viu a manifestação da bruxaria. Creio que tenha sido
transformado após isso, como Roger Bastide, que se converteu ao candomblé ao estudá-lo.
As experiências desses dois últimos antropólogos são ótimos exemplos para mostrar como devemos respeitar nossas experiências de vida e nos propor estarmos abertos às experiências que podemos ter. Mesmo que este livro não te faça ter experiências sobrenaturais (pois não tenho essa pretensão), espero que ao menos faça pensar sobre suas próprias experiências e como elas também são especiais.
As experiências desses dois últimos antropólogos são ótimos exemplos para mostrar como devemos respeitar nossas experiências de vida e nos propor estarmos abertos às experiências que podemos ter. Mesmo que este livro não te faça ter experiências sobrenaturais (pois não tenho essa pretensão), espero que ao menos faça pensar sobre suas próprias experiências e como elas também são especiais.
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